domingo, 14 de outubro de 2018

Como aa democracias morrem

"Surgira uma séria disputa entre o cavalo e o javali; então, o cavalo foi a um caçador e pediu ajuda para se vingar. O caçador concordou, mas disse: "Se deseja derrotar o javali, você deve permitir que eu ponha esta peça de ferro entre as suas mandibu las, para que possa guiá-lo com estas rédeas, e que coloque esta sela nas suas costas, para que possa me manter firme enquanto seguimos o inimigo." O cavalo aceitou as condições e o caçador logo o selou e bridou. Assim, com a ajuda do caçador, o cavalo logo venceu o javali, e então disse: "Agora, desça e retire essas coisas da minha boca e das minhas costas." "Não tão rápido, amigo", disse o caçador. "Eu o tenho sob minhas rédeas e es poras, e por enquanto prefiro mantê-lo assim."

"O javali, o cavalo e o caçador", Fábulas de Esopo.  Citada em Como as democracias morrem.

Fanatismo

O fanático
é como o fósforo:
alienado dentro da caixa,
serve a qualquer
causa incendiaria.

Sérgio Vaz. Colecionador de pedras.

Metamorfose

Para se transformar num verme
cometa injustiças,
ou então, 
aceite-as.

Sérgio Vaz. Colecionador de pedras.

sábado, 13 de outubro de 2018

Consciência e atitude

Que a pele escura
não seja escudo
para os covardes
que habitam na senzala
do silêncio.
Porque nascer negro é consequência.
Ser, é consciência.

Sérgio Vaz. Colecionador de pedras.

Os miseráveis

Vítor, nasceu no Jardim das Margaridas.
Erva daninha, nunca teve primavera.
Cresceu sem pai, sem mãe, sem norte, sem seta.
Pés no chão, nunca teve bicicleta.

Já Hugo, não nasceu, estreou.
Pele branquinha, nunca teve inverno.
Tinha pai, tinha mãe, caderno e fada madrinha.

Vítor virou ladrão, Hugo salafrário.
Um roubava pro pão, o outro, pra reforçar o salário.
Um usava capuz, o outro, gravata.
Um roubava na luz, o outro, em noite de serenata.
Um vivia de cativeiro, o outro, de negócio.
Um não tinha amigo: parceiro.
O outro, tinha sócio.

Retrato falado, Vítor tinha a cara na notícia,
enquanto Hugo fazia pose pra revista.
O da pólvora apodrece penitente, o da caneta
enriquece impunemente.
A um, só resta virar crente, o outro, é candidato a presidente.

Sérgio Vaz. Colecionador de pedras

domingo, 30 de setembro de 2018

Ter ideia é mais difícil do que ser violenta

"Deixei de compreender! Mas será que compreendes, grito para ele, será que compreendes que se vocês põem a guilhotina no primeiro plano e com tamanho entusiasmo é porque cortar cabeças é a coisa mais fácil, ao passo que ter idéias é a coisa mais difícil."

Dostoiévski em "Os demônios"


Vida eterna

Você passou a acreditar na futura vida eterna? — Não, não na futura vida eterna, mas na vida eterna aqui. Há momentos, você chega a esses momentos, em que de repente o tempo para e acontece a eternidade.

Dostoiévski em "Os demônios".