quarta-feira, 28 de maio de 2014
domingo, 25 de maio de 2014
O Amor em paz
Eu amei,
E amei ai de mim muito mais
Do que devia amar
E chorei
Ao sentir que iria sofrer
E me desesperar
E amei ai de mim muito mais
Do que devia amar
E chorei
Ao sentir que iria sofrer
E me desesperar
Foi então
Que da minha infinita tristeza
Aconteceu você
Encontrei em você
A razão de viver
E de amar em paz
E não sofrer mais,
Nunca mais
Porque o amor
É a coisa mais triste
Quando se desfaz
O amor é a coisa mais triste
Quando se desfaz
Vinicius de Moraes
quinta-feira, 22 de maio de 2014
Jung
“Que eu faça um mendigo sentar-se à minha mesa, que eu perdoe aquele que me ofende e me esforce por amar, inclusive o meu inimigo, em nome de Cristo, tudo isto, naturalmente, não deixa de ser uma grande virtude. O que faço ao menor dos meus irmãos é ao próprio Cristo que faço. Mas o que acontecerá, se descubro, porventura, que o menor, o mais miserável de todos, o mais pobre dos mendigos, o mais insolente dos meus caluniadores, o meu inimigo, reside dentro de mim, sou eu mesmo, e precisa da esmola da minha bondade, e que eu mesmo sou o inimigo que é necessário amar?”
(Carl Gustav Jung, volume XI, parágrafo 520)
(Carl Gustav Jung, volume XI, parágrafo 520)
O Dia mais banal
Ainda que você não me conheça e minha língua não entenda,
Quero hoje te escrever, porque este velho mundo está dilacerado
E ainda que nunca te tenha visto, sinto-me muito igual a você
Ainda que sejamos moedas de valor, desvalorizadas por uma realidade miserável,
Somos nesta vida pétalas caídas de uma mesma flor.
Se de vez em quando é você a perdoar a si mesmo,
Se crê em outras religiões
Ou não encontrou ainda Deus e ainda assim o amaldiçoa
Às vezes com ferocidade, por ter perdido a confiança,
O seu sangue, no entanto, queima como o meu.
Ainda que te tenham convencido de que o amor
É a mais mentirosa das verdades,
Se é ainda prisioneiro de um erro que lhe fez apenas mal,
Bom Natal,
Desconhecido irmão distante
Desejo-lhe um bom Natal
Daqui do meu ceuzinho italiano
Não odeie quem quer roubar o seu futuro
Retribua com o bem o mal
Bom Natal
Ainda que a guerra esteja no ar
E todo o mundo se circunde de fronteiras sem liberdade;
Ainda que aos pobres nada reste se não fome e ardis,
Restos dos países ricos, migalhas de generosidade,
Uma mensagem chega ainda das pessoas que todo dia
Ajudam os que não conseguem;
Pela vida que renasce num estábulo,
Por um coração universal,
Bom Natal,
Desarmado irmão distante
Desejo-lhe um bom Natal
E a luz de um campo de trigo.
Não faça isso, não jogue fora este punhado de sonho
E, ainda que você desligue ou mude de canal,
Bom Natal
Ainda que sem um trabalho e sem dignidade,
Ainda que você esteja entupido de felicidade,
Se nesta noite, como que de presente,
Você se encontra só num leito de hospital,
Bom Natal
A um século que morre,
Bom Natal
Meu irmão, não desista jamais;
Corra você também atrás daquela estrela
A vida é uma grande mãe que te embala
Com seu hálito imortal e um oceano de amor
Mesmo sem árvore e presentes para abrir
Mesmo sem toda essa festa artificial
Fosse, como os outros dias,
O dia mais banal,
Bom Natal.
Marco Masini, 1999
Ideais
Os outros meninos, um queria ser médico, outro pirata, outro engenheiro ou advogado, ou general. Eu queria ser um pajem medieval...
Mas isso não é nada. Pois hoje eu queria ser uma coisa mais louca: eu queria ser eu mesmo!
Mario Quintana
Mas isso não é nada. Pois hoje eu queria ser uma coisa mais louca: eu queria ser eu mesmo!
Mario Quintana
Fernando Pessoa
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade como a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva…
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica…
Assim é e assim seja…
Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade como a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva…
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica…
Assim é e assim seja…
Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)
A Opinião Alheia
Na realidade, o valor e a preocupação constante que atribuímos à opinião alheia ultrapassam, em regra, quase todo o objectivo ponderado, de modo que ela pode ser vista como uma espécie
de mania generalizada ou, antes, inata.
Em tudo o que fazemos ou deixamos de fazer, levamos em consideração a opinião alheia quase antes de qualquer outra coisa, e se fizermos uma análise precisa veremos que dessa preocupação nasce praticamente a metade de todas as aflições e de todos os temores sentidos por nós. Pois a opinião alheia é a origem de todo o nosso amor próprio - muitas vezes magoado por ter uma sensibilidade doentia -, de todas as nossas vaidades e pretensões, bem como de nosso fausto e de nossa presunção.
Arthur Schopenhauer, in 'A Arte de Insultar'
de mania generalizada ou, antes, inata.
Em tudo o que fazemos ou deixamos de fazer, levamos em consideração a opinião alheia quase antes de qualquer outra coisa, e se fizermos uma análise precisa veremos que dessa preocupação nasce praticamente a metade de todas as aflições e de todos os temores sentidos por nós. Pois a opinião alheia é a origem de todo o nosso amor próprio - muitas vezes magoado por ter uma sensibilidade doentia -, de todas as nossas vaidades e pretensões, bem como de nosso fausto e de nossa presunção.
Arthur Schopenhauer, in 'A Arte de Insultar'
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